domingo, 18 de setembro de 2011

Ninguém pode mudar o mundo. Um texto para quem tem senso de humor.

Por isso devemos logo de início ignorar ou pelo menos desconfiar de qualquer um com essa intenção. "Por quê?" (insira voz de idiota na pergunta), um tolo pode perguntar. Ora, porquê! Não importa. Ninguém pode mudar o mundo porque ninguém é Jesus. Ninguém é Maomé. Ninguém é Buda. Ninguém é Einstein. Ninguém é Newton. Ninguém é Darwin. (estenda essa lista para o resto dos famosos, inclua também os não-famosos e todos os que colaboraram com eles) Ninguém é ninguém. E o mais importante de tudo: jamais será. Imagine, que pretensão inaceitável: ser alguém. Ora, termine sua bebida, vomite e vá pra casa como todo mundo! Mudar o mundo! Idéia de jerico! Apenas pessoas mudam o mundo. Aliás, é tudo que elas fazem na vida, coitadas. Você não quer ser uma pessoa, quer? Pessoas são detestáveis, são do tipo que morrem virgens. São do tipo que travam conversas chatas. São do tipo que ficam melhor trancadas, caladas, queimadas e ignoradas.
Não seja, eu disse, não seja uma pessoa. Seja gente como nós. Nós temos distrações até pro seu cachorro. Nós temos religião sólida, religião líquida, em pó, em tubinhos, em pílulas, religião que cresce no chão, frases bonitas, sexo fácil e, acima de tudo, ESTILO. (Insira sorriso carismático) É... nós somos! O resto tenta. Nós, que somos gente, nós temos amigos, carreiras, tudo. Nós temos tudo. É isso mesmo, nunca tinha me tocado... Meu Deus, nós somos deuses! Somos mais que deuses, temos livre-arbítrio. Temos frustrações que nos impedem de enjoar da felicidade. Mas por que? Por que, em nome de tudo que há de mais sagrado (insira imagem de uma vagina) alguém gostaria de ser uma pessoa? Pensar no mundo? Pensar em mudança? Meu Deus (insira Matt Damon empolgado aqui), temos tantas coisas mais legais pra fazer! Tanto em que usar nossos neurônios! Olhe (contando nos dedos): Videogames. MTV. Kama Sutra. Wisky. Câncer. Ou Cartas. Praia. Namoro. Cerveja. Câncer. Tanto faz. "Suit yourself", temos para todos os gostos. Gosta de ler? Ótimo! Leia Kafka, leia Baudelaire, leia Tolstoi. Nós garantimos: Aqui dentro, você está seguro do verdadeiro significado, que, eu garanto, te decepcionaria se você soubesse.
Você gosta de ver as coisas criticamente (ser do contra)? Ótimo, isto está na moda também. Aqui você pode ser assim e ainda ser amado. Aqui você pode xingar o sistema, reclamar da própria hipocrisia, falar mal da própria falta de caráter. Tudo certo, testado e aprovado. Adaptamos tudo pra você, você pode ser tudo. Pode escolher a idéia que quer que implantemos em você. Temos para todos os gostos! Pode se revoltar. Vamos lá, tente. Acredite em mim, está tudo perfeitamente seguro. Grite! Vamos, organize grupos de combate a sei lá o quê. Colabore com não sei o que lá. Lute pela sei lá o que de sei lá aonde. Vamos! Pode ir, sério, não acredita em mim? Vivemos em tempos bem diferentes agora. Enquanto a maioria acredita que não aprendemos nada do passado, nós não só aprendemos como aplicamos perfeitamente. Nós aprendemos a conter reações contrárias de DENTRO, antes de começarem. Nós aprendemos a continuar fazendo o que nos interessa sem que os poucos descontentes nos atrapalhem. Nós temos canções de ninar para os espíritos cansados. Eles soam como sirenes de emergência, não é? Não, para quem nasceu aqui dentro não. Para quem está acostumado, elas soam como isto: (insira música favorita aqui). Uma doce, doce melodia...
Janos Biro


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