domingo, 2 de outubro de 2011

ATÉ QUANDO? Acaso. Acaso (versão paralela). O sem caráter.

Acaso

Não estava mais sentindo o chicote estalando em suas costas. Já faziam dois dias que estava amarrado naquela posição.
A dormência, provocada pelo cansaço, substituiu a sua dor.

 - Cinquenta e quatro, cinquenta e cinco, cinq... - Contava em voz alta, o seu senhor.

 - Chiuaf! Chiuaf! - Silvava a vara nas costas do cativo.

 - Ocê num se meti a besta, nunca mais! - Dizia o carrasco, enquanto transpirava de cansaço.

 - Setenta e um, setenta e dois, set... - Lembrou-se da Gâmbia, sua terra natal. Como deveriam estar seus pais? Como deveriam estar todos em sua tribo?

 - Oitenta e três, oitenta e quatro, oit... - Seu senhor contava, enquanto montava no cavalo.

- 
Mama, mimi...nina... nyuma! Mama,...mimi...nina...nyuma! - Arquejou o jovem escravo.

  Abriu os olhos e viu novamente a sua tribo, formada por todos aqueles que se foram, devido a ganância e a ignorância do homem branco. 
  Foi, então, que o seu senhor bateu as esporas no cavalo e sumiu no horizonte, vivendo o resto de sua vida feliz para sempre.
Por: Alexandre Mendes

  

Acaso (versão paralela)

 Não estava mais sentindo o cassetete quebrando suas costelas. O spray de pimenta o cegou e estava cada vez mais difícil respirar. A dormência, provocada pelo cansaço, substituiu a sua dor. 

- Esses baderneiros... Filhos da puta... - Comentava o capital 

Os instrumentos eram utilizados sem o menor pudor. O som seco e surdo produzido era indescritível. - BADERNEIRO... FILHO DA PUTA... - Berrava, o agressor, enquanto descia o braço.

 Lembrou-se de sua família, do porque resolveu se envolver naquela manifestação. Será que conseguiriam impedir a desocupação? Para onde iriam todos de sua comunidade?

 - Esses baderneiros... Filhos da puta... - O capital cantarolava, enquanto olhava o noticiário da tv. 

- Por favor... Não... Por favor... Eu sou trabalhador... - Arquejou o jovem espancado. Abriu os olhos e viu novamente sua comunidade, formada por todos aqueles que se foram, devido a ganância e a ignorância do capital. 
Foi, então, que o senhor capital desligou a tv e encheu um copo de whisky, vivendo feliz para sempre.
Por: Fábio da Silva Barbosa


O Sem Caráter


Por: Fabio da Silva Barbosa

Baba ovo, lambe botas, puxa saco 
Sempre bajulando seu algoz
- Terrível velhaco 
Dizíamos a uma só voz

Logo foi promovido
Tornou-se um desprezível fiscal
Não tolerava atraso ou conflito
Não podíamos passar mal

Tinha orgulho de ser odiado
Achava que não fazia parte dos trabalhadores
Todos preferiam ver o diabo
que esbarrar com este maldito pelos corredores

Um dia o patrão ficou enjoado
Despediu o dedo duro
Havia achado um novo brinquedo
Não precisava mais do cu de burro

O fiscal ficou sozinho
Sem amigos para conversar 
Avaliou todo seu empenho
Percebeu que estivera a se enganar


Aquilo não era apenas fazer seu trabalho
Ia além de uma mera tarefa
Esqueceu quem era e de onde veio
Acreditou na mentira cega


Valeu, irmãos!!! Bacana fortificação!!!

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